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Aprender com IA

Perder o medo de começar com IA

Hugo Alves3 min de leitura

Uma esfera amarela diante de uma passagem azul, no topo de três degraus, sobre um fundo marfim.

Há uma coisa que as pessoas me dizem muitas vezes no fim dos meus workshops de IA: perderam o medo de começar.

Percebo perfeitamente esse medo. Não saber o que perguntar. Não saber como explicar uma tarefa. Receber uma resposta esquisita e achar que fizemos alguma coisa mal.

Uma parte importante do que tento ensinar é precisamente como continuar a partir daí.

Experimentar. Perceber o que ficou ao lado. Explicar melhor. Corrigir um pressuposto. Pedir ao modelo que faça perguntas antes de começar a trabalhar. Às vezes, a melhor maneira de explicar aquilo de que precisamos é deixar que a IA nos entreviste.

Eu sei que “tens de experimentar” pode soar a conselho demasiado genérico. Mas há uma diferença enorme entre ouvir falar destas ferramentas e ganhar à-vontade para trabalhar com elas. Essa confiança constrói-se a usá-las, incluindo quando a primeira tentativa corre mal.

A minha maneira de ajudar empresas também mudou por causa disto.

Quando comecei a fazer consultoria, procurava tarefas manuais e construía aplicações para as automatizar. Algumas usavam IA, outras não. Ao fim de algum tempo, comecei a perceber como essas soluções ficavam rapidamente desatualizadas.

E fui pensando: uma parte importante do que eu consigo fazer vem da minha capacidade de orientar agentes de IA. Vale a pena ensinar outras pessoas a desenvolver essa capacidade.

É muito desse trabalho que faço hoje com o Forge.

Nos workshops, trabalhamos sobre o que é preciso para entregar uma tarefa à IA: o contexto, as fontes, os passos, as permissões e, sobretudo, o que vamos considerar um bom resultado.

Esse último ponto interessa-me muito. A pessoa continua a precisar de julgamento. Precisa de saber se o trabalho está bem feito, o que deve verificar e quando tem de intervir. Quanto mais trabalho conseguimos delegar, mais importante se torna saber orientar e avaliar.

Depois ficam os materiais, os exercícios e o desafio de levar aquilo para o dia a dia. Muitas vezes é preciso acompanhamento para fazer essa passagem. É aí que aparecem as dúvidas que interessam: como aplicar o que se aprendeu a uma tarefa real, com os documentos e as exigências daquela equipa.

Tudo isto pode ser feito com as ferramentas que as pessoas já usam. Muitos dos conceitos são transversais ao ChatGPT, ao Claude e a outras ferramentas.

O que eu quero é que a pessoa consiga continuar sozinha. Que tenha uma tarefa à frente e já saiba como começar uma conversa útil com a IA. E que, quando a resposta não servir, tenha confiança para dizer porquê e tentar outra vez.

Hugo Alves