Aprender com IA
Perder o medo de começar com IA

Há uma coisa que as pessoas me dizem muitas vezes no fim dos meus workshops de IA: perderam o medo de começar.
Percebo perfeitamente esse medo. Não saber o que perguntar. Não saber como explicar uma tarefa. Receber uma resposta esquisita e achar que fizemos alguma coisa mal.
Uma parte importante do que tento ensinar é precisamente como continuar a partir daí.
Experimentar. Perceber o que ficou ao lado. Explicar melhor. Corrigir um pressuposto. Pedir ao modelo que faça perguntas antes de começar a trabalhar. Às vezes, a melhor maneira de explicar aquilo de que precisamos é deixar que a IA nos entreviste.
Eu sei que “tens de experimentar” pode soar a conselho demasiado genérico. Mas há uma diferença enorme entre ouvir falar destas ferramentas e ganhar à-vontade para trabalhar com elas. Essa confiança constrói-se a usá-las, incluindo quando a primeira tentativa corre mal.
A minha maneira de ajudar empresas também mudou por causa disto.
Quando comecei a fazer consultoria, procurava tarefas manuais e construía aplicações para as automatizar. Algumas usavam IA, outras não. Ao fim de algum tempo, comecei a perceber como essas soluções ficavam rapidamente desatualizadas.
E fui pensando: uma parte importante do que eu consigo fazer vem da minha capacidade de orientar agentes de IA. Vale a pena ensinar outras pessoas a desenvolver essa capacidade.
É muito desse trabalho que faço hoje com o Forge.
Nos workshops, trabalhamos sobre o que é preciso para entregar uma tarefa à IA: o contexto, as fontes, os passos, as permissões e, sobretudo, o que vamos considerar um bom resultado.
Esse último ponto interessa-me muito. A pessoa continua a precisar de julgamento. Precisa de saber se o trabalho está bem feito, o que deve verificar e quando tem de intervir. Quanto mais trabalho conseguimos delegar, mais importante se torna saber orientar e avaliar.
Depois ficam os materiais, os exercícios e o desafio de levar aquilo para o dia a dia. Muitas vezes é preciso acompanhamento para fazer essa passagem. É aí que aparecem as dúvidas que interessam: como aplicar o que se aprendeu a uma tarefa real, com os documentos e as exigências daquela equipa.
Tudo isto pode ser feito com as ferramentas que as pessoas já usam. Muitos dos conceitos são transversais ao ChatGPT, ao Claude e a outras ferramentas.
O que eu quero é que a pessoa consiga continuar sozinha. Que tenha uma tarefa à frente e já saiba como começar uma conversa útil com a IA. E que, quando a resposta não servir, tenha confiança para dizer porquê e tentar outra vez.